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CGU, PF e MPRO combatem irregularidades com recursos da saúde em Rondônia

Operação Polígrafo investiga fraudes na aquisição, por dispensa de licitação, de 100 mil kits de teste rápido para Covid-19, no valor de R$ 10,5 milhões A Controladoria-Gera da União (CGU) participou, na quinta-feira (30), da Operação Polígrafo. O trabalho é realizado em parceria com a Polícia Feder...

Redator OK Amazonas · Redação OK Amazonas
3 de agosto de 2020, 22:06 · 4 min de leitura
CGU, PF e MPRO combatem irregularidades com recursos da saúde em Rondônia
Portal do Careiro

Operação Polígrafo investiga fraudes na aquisição, por dispensa de licitação, de 100 mil kits de teste rápido para Covid-19, no valor de R$ 10,5 milhões

A Controladoria-Gera da União (CGU) participou, na quinta-feira (30), da Operação Polígrafo. O trabalho é realizado em parceria com a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público de Rondônia (MPRO). O objetivo é combater supostas ilegalidades em dispensa de licitação, promovida pela Secretaria de Estado da Saúde (SESAU/RO), para aquisição de 100 mil kits de testes rápidos para diagnóstico da Covid-19. O montante envolvido é da ordem de R$ 10,5 milhões.

Investigação – A investigação constatou que o caráter competitivo do certame foi frustrado, uma vez que houve contratação direta de uma empresa com as seguintes irregularidades: não ter registro de produtos na ANVISA à época (item exigido no termo de referência); não possuir autorização para comercialização de produtos para a saúde; apresentar como objeto social “serviços combinados de escritório e apoio administrativo”; não ter funcionários registrados em 2020; e apresentar capital social incompatível com o valor do certame.

A referida aquisição ocorreu em paralelo a outro processo de dispensa de licitação que estava em trâmite. O certame anterior tinha o mesmo objeto, o custo unitário por kit mais econômico e 21 empresas puderam concorrer e apresentar propostas. Porém, mesmo vantajoso para a administração pública, ele foi revogado, sendo priorizada a contratação direta.

Os auditores verificaram que, embora fosse possível realizar pagamento antecipado de despesas em período de calamidade pública, não houve cumprimento das exigências legais para justificar a antecipação de R$ 3,15 milhões (30% da contratação), que ocorreu em apenas quatro dias após a abertura do processo e sem existência de pedido formal pela empresa.

Com relação à entrega dos kits, apesar do pagamento antecipado, houve atraso de 27 dias após o prazo inicialmente informado pela empresa e o mesmo só ocorreu com a iniciativa do Governo de Rondônia em custear aeronave própria para buscar os insumos em São Paulo.

Também foram encontrados fortes indícios de ausência de capacidade técnica da empresa contratada e a possível atuação arquitetada entre empresários e agentes públicos para obtenção de vantagens indevidas.

A mesma empresa já havia sido alvo da Operação Dispneia, deflagrada em 25/05/2020, que apurou a existência de sobrepreço na compra de 150 respiradores pulmonares pela Secretaria de Saúde de Fortaleza (CE). O potencial prejuízo financeiro é de R$ 25,4 milhões.

Impacto Social – Em 2020, até o mês de maio, o Estado de Rondônia havia recebido pelo Fundo Nacional de Saúde cerca de R$ 71,2 milhões para ações de prevenção e enfrentamento da Covid-19. A má aplicação desses recursos, em um momento tão delicado como o atual, é extremamente prejudicial para a sociedade, que já está sendo bastante afetada pelos efeitos da pandemia.

Diligências – A Operação Polígrafo consiste no cumprimento de 13 mandados de busca e apreensão nos municípios de Porto Velho (RO), Rio de Janeiro (RJ), Balneário Camboriú (SC) e em Itajaí (SC). O trabalho conta com a participação de quatro servidores do MPRO, seis servidores da CGU e 50 policiais federais.

O MPRO também determinou a indisponibilidade de bens em nome da empresa investigada no valor de R$ 3,15 milhões, pagos antecipadamente pela SESAU/RO, e o bloqueio de R$ 7,35 milhões restantes do contrato, visando impedir suposto enriquecimento ilícito dos envolvidos e potencial dano aos cofres públicos.

A CGU, por meio da Ouvidoria-Geral da União (OGU), mantém o canal Fala.BR para o recebimento de denúncias. Quem tiver informações sobre esta operação ou sobre quaisquer outras irregularidades, pode enviá-las por meio de formulário eletrônico. A denúncia pode ser anônima, para isso, basta escolher a opção “Não identificado”.

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